2010-08-21 • Campeão olímpico há dois anos
O ser campeão olímpico é sempre um marco importante para o resto da vida de um atleta. São momentos únicos especiais e fundamentais para quem treina anos e anos para chegar ao topo mundial. O momento áureo de Nelson Évora, um sonho que sempre perseguiu, aconteceu a 21 de Agosto de 2008, no Estádio Olímpico de Pequim, cidade onde decorreu os Jogos Olímpicos no ano de 2008. Depois de se ter qualificado à final três dias antes, onde necessitou apenas de dois saltos para se qualificar (o primeiro nulo, o segundo de 17.34 metros), Nelson Évora participaria na final do triplo salto com nomes muito fortes da especialidade : Phillips Idowu (Grã-Bretanha), Arnie David Girat (Cuba), Héctor Dairo Fuentes (Cuba), Momchil Karailiev (Bulgária) - 17.38, Igor Spasovkhodskiy (Rússia), Yanxi Li (China), Leevan Sands (Bahamas), Jadel Gregório (Brasil), Marian Oprea (Roménia), Onochie Achike (Grã-Bretanha) e Viktor Kuznyetsov (Ucrânia). A final realizou-se em Pequim às 20:20 (13:20 na hora portuguesa) e Nelson Évora fez mesmo um concurso de elevadíssimo nível, com quatro saltos acima dos 17 metros, um nulo e um último salto abaixo dos 17 metros, mas numa altura em que se encontrava comovido e já com o Ouro na mão. A sequência de saltos de Nelson Évora foi a seguinte: 17.31 – 17.56 – X – 17.67 – 17.24 – 16.52. Os 17.67 metros com que ganhou ocorreram ao quarto ensaio, depois do segundo classificado, Philips Idowu, ter passado ao terceiro ensaio para a frente do concurso com 17.62 metros. Foi por isso uma resposta perfeita por parte do atleta português, que não deixou fugir o Ouro a partir daí. O seu último ensaio e o encontro com o seu treinador, o Prof. João Ganço, foram momentos de comoção para Nelson Évora, que pegou na bandeira de Portugal e deu a volta de honra e o primeiro agradecimento ocorria mesmo dentro da pista, quando disse para as câmaras “muito obrigado Portugal!”. Numa das primeiras declarações à imprensa, o atleta português ainda não conseguia sequer falar muito bem dos próximos passos: "Ainda não posso acreditar que ganhei esta competição. Tudo foi tão rápido. Foi um sonho para mim, mas vou persistir nos meus esforços para alcançar melhores resultados no futuro. Acho que o conseguirei fazer". A partir daí “choveram” pedidos de entrevista, mensagens de felicitação e um boom de visitas ao seu site oficial, que em dois dias (21 e 22 de Agosto) ultrapassou as 100 mil páginas vistas, com centenas de comentários a serem realizados no seu site por parte dos seus fãs, amigos e até de figuras públicas. Até às 4 da manhã Nelson Évora realizou entrevistas em Pequim, uma das últimas para a RTP, que abriu o Telejornal com uma entrevista em directo com o atleta português. Nelson foi também capa de jornal em muitos dos jornais desportivos e generalistas do dia 22 de Agosto, tendo mesmo ocupado toda a capa do jornal “A Bola”, jornal do qual acabaria por receber meses mais tarde a distinção de desportista do ano. Outros prémios e distinções foram atribuídas a Nelson Évora, como a de melhor desportista do ano por parte da Confederação do Desporto de Portugal, tal como ao seu treinador, o Prof. João Ganço. Foi no mesmo dia 22 que subiu ao pódio no Estádio Olímpico de Pequim, com poucas horas de sono e aí se “arrepiou muito”, segundo palavras do próprio, declarando que nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, o objectivo era a tentativa de recorde olímpico, embora a superação máxima, o recorde mundial, fosse o objectivo de carreira. A 27 de Agosto, Nelson Évora acabaria por aterrar em Portugal, com a restante comitiva e centenas de fãs, amigos e colegas esperavam-no no Aeroporto da Portela, em Lisboa. Depois de uma conferência de imprensa promovida pelo Comité Olímpico de Portugal, eram 23:40 quando Nelson Évora desceu as escadas rolantes para finalmente estar, o que foi possível, com os seus fãs. Um momento difícil de descrever e uma das maiores recepções feitas a um elemento do atletismo, alguma vez feita a Portugal. Nelson Évora estava claramente cansado, depois de 23 horas de viagem e seguiu o seu destino, rodeado de medidas de segurança, ao estilo do que ocorre quando uma selecção nacional de futebol regressa das grandes competições. Foi assim uma marca na história do olimpismo e do atletismo português, a quarta medalha de Ouro alcançada por Portugal em Jogos Olímpicos, a seguir às de Rosa Mota (Maratona), Carlos Lopes (Maratona) e Fernanda Ribeiro (10000 metros). 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