2011-09-05 • Nelson conquista o top-5 no Mundial
No início da época do Triplo Salto tudo apontava para um grande resultado neste Mundial por parte do francês Teddy Tamgho, o grande candidato ao recorde do Mundo de Jonathan Edwards. Contudo o francês acabaria por se lesionar antes deste Mundial e deixou esta prova mais em aberto. Na qualificação já se tinham “perdido” o cubano Arnie Girat e o romeno Marian Oprea, à partida atletas que poderiam tentar fazer a diferença nesta final que se realizou na tarde de Daegu de hoje. Entre os finalistas estava justamente Nelson Évora, o ex-campeão do Mundo (na edição de 2007, em Osaka) e o ainda campeão olímpico. Durante um ensaio o português Nelson Évora teve a oportunidade de sentir a Prata virtual ao peito, uma sensação que foi muito importante depois de tanto tempo parado, depois de ter aberto o concurso com convincentes 17.35 metros, a sua melhor marca da época. Mas este foi, de facto, o maior momento de inspiração de Nelson Évora, que ao longo do resto do concurso não conseguiu mais ultrapassar os 17 metros, embora sempre com ensaios válidos, o que demonstram mais certeza na sua corrida de balanço. A sequência de saltos de Nelson foi a seguinte : 17.35, 16.80, 16.63, 16.18, 16.57 e 16.95 metros. O concurso ao primeiro ensaio (17.56) foi tomado de assalto por parte por Philips Idowu (Grã-Bretanha), que aqui defendia o título mundial alcançado em Berlim, há dois anos. Com o terceiro ensaio a 17.70 metros o concurso parecia praticamente vencido por parte do britânico, mas viria o jovem norte-americano Christian Taylor a pular 17.96 metros, uma das melhores marcas mundiais de sempre, à qual Idowu apenas conseguiu responder com 17.77 metros. Mais para trás fazia-se a luta pelo Bronze, onde já não estava Nelson Évora, mas sim o outro norte-americano, este com 20 anos, de seu nome Will Claye, que veio da Universidade para aqui saltar 17.50 metros ao terceiro ensaio. Contra isto o cubano Alexis Copello, quarto classificado, não conseguiu mais que 17.47 metros ao quinto ensaio, Nelson Évora ficaria com o seu quinto lugar, com os 17.35 metros de abertura e com Christian Olsson (Suécia) no sexto lugar com 17.23 metros, também na abertura, prescindindo dos dois últimos ensaios, com problemas físicos tal como Leevan Sands (Bahamas), que competiu limitado. Na frente nada mais se iria alterar e o Ouro acabou mesmo para Taylor (17.96 metros), a melhor marca mundial do ano, com Idowu a terminar com 17.77 metros, num concurso em que fez seis tentativas acima dos 17.38 metros (!). Desta forma o português Nelson Évora só pode sair erguido desta sua quarta presença em Mundiais, pela sua terceira final consecutiva e após a época complicada tanto a nível físico, como a nível pessoal. Depois de tudo parecer perdido teve a força de alcançar mínimos no Campeonato de Portugal, com 16.99 metros, no último ensaio da competição, depois ganhando o Ouro nas Universíadas com 17.31 metros e terminando a época com o 5º lugar no Mundial, saltando 17.35 metros, depois de uma qualificação impecável. Mais seria difícil de pedir ao saltador português, que prepara sem lesões nem dores os Jogos Olímpicos de 2012. Mais que tudo o resto, o 5º lugar de Nelson Évora foi o melhor resultado da selecção portuguesa em termos classificativos e uma esperança para o futuro, onde irá perseguir objectivos de carreira, onde depois dos títulos mundiais e olímpicos, faltam ainda outros títulos (como o Europeu) e a subida acima dos 18 metros, um objectivo que o português nunca esqueceu. As principais declarações de Nelson Évora à imprensa portuguesa : “Eu lá imaginava, há um mês e meio, que iria ficar em quinto lugar no campeonato do mundo” “Comecei com 16,99 nos Campeonatos de Portugal, 17.31 m nas Universíadas e agora 17.35 m. Quantos saltos os outros não fizeram acima dos 17 metros para estarem aqui com esta consistência?” “Estive bem. Não arrisquei tudo no primeiro salto. Foi um salto para marcar e entrar em competição. E depois foi arriscar tudo, não me saiu da melhor forma” “Se eu estivesse bem, acho que seria capaz de tudo. Eu acho que há que tirar boas conclusões. Consegui fazer 17,35 e, embora não tenha sido o melhor salto, dá-me boas indicações para a próxima época e perspectivas de que promete” RESULTADOS (Triplo – Final): 1. Christian Taylor (EUA) – 17.96 WL 2. Philips Idowu (Grã-Bretanha) – 17.77 3. Will Claye (EUA) – 17.50 RP 4. Alexis Copello (Cuba) - 17.47 5. Nelson Évora (Portugal) – 17.35 6. Christian Olsson (Suécia) - 17.23 7. Leevan Sands (Bahamas) - 17.21 8. Benjamin Campaoré (França) - 17.17 9. Henry Frayne (Austrália) - 16.78 10.Fabrizio Donato (Itália) - 16.77 11.Yoandris Betanzos (Cuba) - 16.67 12.Sheryf El-Sheryf (Ucrânia) - 16.38